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A questão da intolerância no caso Charlie Hebdo

No Brasil tanto a censura quanto a intolerância religiosa são crimes, de acordo com o artº5 da constituição e a Lei nº 11.635, respectivamente.


 
  Recentemente uma revista que faz tirinhas e charges foi atacada por terroristas. No entanto, esse não foi mais um alvo aleatório de terroristas. Os terroristas atacaram especialmente o escritório da Charlie Hebdo em resposta a tirinhas que a revista tinha feito satirizando a figura do profeta Maomé, o qual é sagrado para os muçulmanos.


   Diante disso, a internet e o mundo se dividiram em dois: Um grupo defendendo a todo custo as vítimas do atentado terrorista e outro defendendo que a Charlie Hebdo errou por publicar as charges.


   Porém, penso eu que se deve ter um pouco mais de cuidado ao se tratar de assuntos sérios como esse. Então, vamos começar colocando as cartas na mesa. De um lado temos uma revista de esquerda que critica e satiriza basicamente todas as religiões e políticas que contrariam as ideias de seus  idealizadores que defendem suas ideias com desenhos, e de outro existe um grupo radical de uma religião que não aceita criticas e defendem seus ideais com o uso da força.


    Nesse contexto, é possível afirmar que de forma alguma tirar o bem mais precioso de alguém - a vida - é algo válido e racional. Sendo assim, a atitude dos terroristas é algo que não pode ser equiparada ou equilibrada em resposta à algo, nem mesmo uma morte deve ser paga com outra, quanto mais um desenho. Logo, para as pessoas que defendem a ideia de que "eles começaram" devem rever seus princípios morais.


    Por outro lado, a 3ª Lei de Newton afirma que para toda ação existe uma reação, de forma que a reação seria equivalente com a ação, todavia, alguns grupos étnicos e culturais, principalmente os mais conservadores, muitas vezes não tem a capacidade medir forças quantos ao uso da mesma, haja vista suas heranças históricas e culturais, onde o uso da violência se tornou algo natural. Já dizia o velho ditado "quem mexe com fogo pode se queimar" e quando se trata de um mundo com distintos valores morais e religiosos tal ditado pode se tornar uma grande catástrofe.



- Por Jonatas Carlos
  

Violência Dentro e Fora dos Presídios


              A RESPOSTA À BARBÁRIE


   Uma intervenção, cujo pedido pode ser feito pelo procurador-geral da República, deve estar acima de questões contaminadas por interesses políticos. Sabe-se que o Maranhão é administrado por aliados do governo federal. A providência da intervenção, no entanto, depende da decisão autônoma e soberana do Supremo Tribunal Federal. A possibilidade pode ser incômoda para alinhados ao Planalto, mas os interesses dos maranhenses estão acima de outros constrangimentos alheios aos esforços para que a crise tenha um desfecho.
   O caos nos presídios ganhou repercussão com a divulgação das imagens de presos decapitados. Seus efeitos, todavia, são sentidos também fora das cadeias, com o terror disseminado pelos ataques a ônibus, que já mataram uma criança de seis anos. É surpreendente, nesse ambiente de terror, que a governadora Roseana Sarney venha a público para afirmar que a guerra prisional entre facções e os ataques nas ruas sejam decorrência da melhoria da qualidade de vida no Estado. Não existem indicadores para confirmar, como disse a governadora, que o Estado ficou mais rico. E, mesmo que existissem, fica difícil estabelecer qualquer conexão coerente entre tal fato e o total descontrole das cadeias.
    O que acontece no Maranhão é resultado de um fenômeno que tem particularidades estaduais, mas que na verdade se verifica em praticamente todo o país. Consumou-se a falência do sistema prisional brasileiro, como consequência de uma série de fatores, que incluem deficiências da legislação, gestão precária das prisões, submissão ao poder das quadrilhas e falta de investimentos em novas unidades prisionais. As medidas que vierem a ser tomadas no Estado serão incompletas se limitarem-se a efeitos emergenciais e de curto prazo. União, Ministério Público, Justiça e outras instituições não podem também limitar suas deliberações ao que ocorre no Maranhão.
      Situações explosivas, com todas as condições de repetir, em quaisquer regiões, o que ocorre em São Luís exigem intervenção decidida e imediata das autoridades. O drama maranhense tem o poder de chocar, de indignar e de transmitir uma advertência para todo o país.
      A mobilização institucional que tenta conter a explosão da violência dentro e fora dos presídios do Maranhão faz com que o governo do Estado compartilhe responsabilidades com a União, o Ministério Público, a Justiça e outros organismos. É sensato que a reação à barbárie resulte da convergência de ações em todas as esferas de poder, diante da conclusão de que as autoridades locais não teriam condições de oferecer respostas satisfatórias aos conflitos e ao medo disseminado pelos bandidos. Mas as providências coordenadas, apenas com efeitos pontuais, talvez não sejam suficientes para o encaminhamento de soluções duradouras. Nesse sentido, deve ser considerada como factível e possivelmente inadiável a eventual intervenção federal na administração do sistema carcerário.

Centralização Excessiva do Poder


ESPIONAGEM E COMPETÊNCIA
                                                                                     Fonte: Gazeta do Povo, Carlos Ramalhete

   




   Há quem se horrorize com as dimensões da espionagem americana, e há quem, movido pela inveja, finja fazê-lo. É o caso de nossos governantes.
   Afinal, o que estamos vivendo é o fim do processo de centralização excessiva do poder que se iniciou no Absolutismo, de que nossos descendentes provavelmente verão a democracia representativa e outras formas de modernidade como um subcapítulo. Como em toda decadência final de um modelo de civilização, o que era convenção social passa a ser imposto à força após perder a aceitação tácita que lhe dava autoridade. É o que ocorreu em Roma sob Juliano; é o que levou à caça às bruxas que tomou conta da Europa após o fim da Idade Média.
   A hipertrofia da autoridade estatal central, típica da modernidade que ora finda, levou a fenômenos que seriam considerados absurdos em qualquer outra sociedade, como os documentos de identidade pessoal e de veículos (e o governo precisa autorizar que mudemos a cor de um carro que nos pertence!), a obrigatoriedade geral de declarar ao Estado toda a renda pessoal etc. Saber do que conversamos com os amigos nas redes sociais, por onde passeou nosso telefone celular ou o conteúdo dos nossos e-mails comerciais é uma diferença de grau, não de essência.
   Nos EUA, os ativistas pela liberdade de informação estão em polvorosa, e com razão. No Brasil, não há o que fazer; sabemos que estamos sujeitos à violação de nossa privacidade a cada momento e – mais até que os americanos – em tese poderíamos até mesmo ser obliterados pelos robôs assassinos voadores (os drones) com que os EUA atualmente se comprazem em caçar inimigos, reais ou imaginários.
   Uma alegria, contudo, nós ainda temos: nosso governo não tem os meios do americano. Se a gangue que ora ocupa o Planalto pudesse, indubitavelmente a vigilância seria ainda mais acirrada. Para nossas autoridades, todavia, é um sonho impossível. Seria mais fácil estabelecer uma colônia petista na Lua que atingir o nível de competência em espionagem de que dispõe o governo americano.
   Mais ainda: as patéticas tentativas de aumento de controle do nosso governo só fazem com que perca mais rapidamente o parco poder que ainda lhe resta. A castração da ação independente da Polícia Federal levou-a a tornar público o caso Rosemary, e nada impede que o mesmo fenômeno ocorra em outras instâncias. Os EUA têm a Homeland Security; nós só temos uma presidente que em breve estará falando sozinha. Eles têm robôs assassinos voadores; nós só temos mensaleiros abusando da FAB. Dá pra encarar.

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