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Aforismo sobre a dúvida

A dúvida é o princípio do conhecimento. A dúvida implica em questionamentos e a busca de explicações.

Contudo, a dúvida é algo infindável, sempre a dúvida nos trará mais dúvidas. Dessa forma, é necessário um controle para que não percamos nossa vida em dúvidas, mesmos que essas nos tragam resoluções. Uma vida repleta de dúvida leva a loucura.

As dúvidas nos trazem respostas e resoluções para problemas. No entanto, por lógica é necessário pensarmos que existem axiomas e pressupostos, uma vez que precisamos fixar pontos de partida, mesmo para a dúvida. O princípio da dúvida metódica não é o nada, mas parece ser, no mínimo, metafísico.

Outros assuntos são óbvios e não é necessário que gastemos nossa capacidade mental para questiona-los, mesmo sabendo que todos os assuntos podem ser destrinchados. A questão aqui é a necessidade. Por outro lado, alguns assuntos podem parecerem óbvios e serem considerados já como verdades pela população em geral, mas merecem ser questionados. O que decidirá o tipo de dúvida é o bom-senso.

- Jonatas Carlos, 20 de novembro de 2016

Poema bucólico

Poema bucólico

Poema bucólico?
É...
Minha rua de barro
Sopra o pó pelos móveis...
A fumaça dos carros
O engarrafamento
O canto das buzinas
A pacificidade do stress...
Meus verdes campos
É esse concreto cinza...
O assovio dos ventos
A batida dessa britadeira
O barulho do liquidificador...
As palavras suaves
Essas mesmas
Britadeira, liquidificador...
Esse carbono,
Lírio do século XXI!
A vida bucólica moderna
É o descanso na cadeira
Em mais uma sessão 
De quimioterapia.

-Jonatas Carlos 07.11.2016

Ilusão

Ilusão

Ela era poesia
Na prática fantasia
Dos versos
Uma personagem.

-Jonatas Carlos 10.11.2016

A morte da crítica?


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 Uma geração mimada que recebe crítica como um ataque pessoa. Parece já ser possível observar as tendências intelectuais da geração Z. Nascidos em um mundo sem grandes guerras mundiais, sem guerras civis, sem revoluções e sem grandes participações políticas, essa nova geração nasceu no meio de uma grande estabilidade, tanto política quanto econômica, e isso gera influências diretas no modo de pensar dessa malta.

Além disso, a geração Z é ainda mais marcada pelo surgimento da internet. Eles já não sabem ser pacientes, a espera se tornou obsoleta. Se não for imediato, o stress é uma realidade. Se não for do mais novo e recente, está fora de moda e ultrapassado. Se não for divulgado e todos das redes sociais verem, parece não existir, os likes fazem-se necessários para uma viagem, um relacionamento ou uma simples alimentação. Poucas curtidas? Motivo de preocupação. Sem sinal ou Wi-fi? Grande desespero, fim do mundo! O que farei agora? dependo disso. Na verdade, parece que esse novo grande facilitador - a internet - veio para transformar ações banais do dia-a-dia em intermédio para imensos problemas, se não tiver o elemento Z.

Vale lembrar ainda da nossa grande e querida arte. Dizem por aí que não é o homem que cria a arte, mas a arte que tem o potencial de refletir o homem e o social. Se assim, observa-se então a gravidade em que se encontra a humanidade. A arte tornou-se abstração sem sentido, e é "cult" quem curti-la e compartilha-la. Concordo que a abstração sempre, em  certas medidas, fez parte da arte, mas era uma abstração inteligente que no fundo mostrava algo, falava, gritava e expressava a visão do mundo do artista, para um bom observador. Hoje, no entanto, a abstração faz-se nela mesma, tornando-se inútil e barata. A música tornou-se uma mistura aleatória de sons, sendo carregados por vozes robóticas e computadorizadas.

O problema, no enanto, que me proponho a escrever aqui é um dos resultados desse novo estilo de vida: a sensibilidade à crítica. O que os artistas criam ou aquilo que é publicamente postado nas redes sociais é a obra pronta de opinião de seus autores e parecem, na cabeça deles, carregar uma verdade pronta, o resultado perfeito, que não pode ser criticado. A internet, nesse caso, tornou-se um polarizador de opiniões, não de ideias. Não se argumenta, não se pensa, não se discute, apenas é regurgitado palavras e opiniões que são repetidas pelos seus emissores sem serem pensadas. A ignorância - que é o desprezo pelo saber - tornou-se comum e reina em "debates".

Essa geração esqueceu, no entanto, que criticar uma música, uma ideia, uma comida, um filme, uma pintura é algo natural e que deveria ser aceito como um meio para o aperfeiçoamento do que está sendo feito. Contudo, hoje as pessoas estão tão presas às suas ideias ou obras que criticar estas últimas soa como uma crítica aos seus autores. Criticar uma ideia não é criticar o seu idealizador, mas um meio de apontar os possíveis erros que a [ideia] carrega. Desse modo, nem o crítico detêm a verdade, nem o autor, mas ambos terão que desenvolver o trabalho de parar para pensar e analisar a obra. O crítico, para criticar, e o criticado para meditar na crítica e buscar entendê-la e, quando no caso, refutá-la. Pois, obviamente, o criticado também tem o total direito de defesa, através de [argumentos].

Parece que essa é a famosa Geração Coca-Cola de Renato Russo, são mesquinhos, cheia de manhas e mimos - e eu me incluo, por ser desta geração - e não sabem ouvir uma crítica e tentar aprender algo com ela. É a geração que se prende às ideias que carrega como se carregassem algo imutável que deve ser defendida com unhas e dentes, mas não com a razão.

Acredito fielmente que esse novo estilo de vida possa explicar uma série de problemas morais e políticos que existem no Brasil de hoje. Problemas estes que são extremamente combatidos pelos grandes guerrilheiros dos teclados. É assim que o povo segue nessa inércia, que carrega uma aparência de uma população ativa. Eles não querem ser criticados, não querem mudar e não querem ter esforço algum. A geração que cresceu criticando o controle e inutilidade da TV é a mesma que passa horas navegando na internet e sendo silenciosamente controlada pelos algoritmos da rede e vendo as mesmas inutilidades da geração anterior. O problema não é o sistema, é o povo.

Bem, vivamos e que possamos carregar uma grande onda de pessoas que pensam igualmente a nós, pescados na visível rede de algoritmos. Conquistaremos curtidas e morreremos em paz. O mundo? Aquele que pensa contrário a mim? Dane-se, ele não existirá. Tomará um "block".

Por fim, espero que entendam os pontos de ironia que seguem com este texto. E claro, estou sempre disposto a receber suas críticas :)

 -Por Jonatas Carlos

Cerol

Cerol

Retinas, 

Algumas vezes são as situações mais banais do dia-a-dia que nos levam a conhecer o mais profundo das ações que nos rodeiam. Digo-te isto pelo fato da história que agora inicio veio exatamente de um desses momentos do cotidiano, o que não digo é que ela seja profunda, aí cabe à tua alma...

Desculpe o início tradicional, mas realmente não sei como escrever, lá vai: Certo dia de uma noite quente, João Filho, 12, mais conhecido como Demolidor, estava inquieto em sua cama tentando dormir e a partir de sua inquietação, teve a oportunidade de notar um detalhe estranho que nunca tinha visto anteriormente: A lâmpada de seu quarto mesmo apagada ainda estava a brilhar. O brilho não era intenso, mas percebia-se que alguns fótons de luz verde ainda saiam do vidro. 

Neste dia Demolidor estava só em casa, pois seus pais tinham ido para uma pequena viagem. Ele não foi pois preferia ficar na sua região empinando sua pipa. Neste dia, João tinha ficado a tarde inteira na rua com suas linhas e correndo atrás de outras pipas pela ruas do seu bairro. Talvez esse seja o motivo de sua inquietação na cama, pois além de estar quente, ele estava com sua pele levemente queimada do sol. Pense, leitor, a soma entre a inquietação de um dia quente, a imaginação e curiosidade de um adolescente e a solidão em frente a um fato curioso em sua casa... Lembro-me bem que em minha infância essa minha inquietação fez-me ver centenas de monstros em galhos aleatórios.

Com este somatório em mente, o menino tentou consiliar o mistério com algo da realidade, mas o medo o tomou totalmente. Logo, com muito medo, ele levantou-se e viu que algumas das lâmpadas fluorescentes da sua casa também estavam a brilhar. Neste momento o pavor tomou conta de si e tomou a atitude mais inteligente para alguém de sua idade: correu para debaixo do lençol e, apesar do calor, o medo esfriou mais alto e o levou ao sono.

No dia seguinte, logo após acordar, os seus pais chegaram em casa acompanhados de seu avó paterno e o garoto correu para contar o ocorrido para sua mãe. 

— Mãe, mãe, tem algo de estranho nas lâmpadas aqui de casa!!!
— O que foi, meu filho? Para com essas doidices, sei que você só quer pegá-las para fazer cerol para suas pipas.
— Não, mãe, me escuta...
— Ó, menino sai pra lá que estou estressada
— Mas as lâmpadas ainda estão brilhando depois que a gente apaga, mãe...
— Olha, para com essas doidices ou vou ter bater, vai pra rua brincar, vai.
— Mãe, é sério... E a Dona Laura, como era conhecida, ignorou o menino, mas o seu avô estava a prestar atenção em tudo que o garoto falava e logo o chamou:

— Ei, Jão, cadê a benção do vô?
— Bença, vô?
— Deus te abençoe, meu filho, venha cá que eu quero te contar um negócio... Eu ouvi você falando essa história da lâmpada pra sua mãe e...
— Ah, vô, deixa pra lá, deve ser coisa da minha cabeça.
— Jão, venha cá! Estou lhe falando... eu sei o porquê da sua lâmpada estar brilhando no escuro, é verdade... isso é coisa de família.
— Você sabe, vô? E o que é? Ontem eu quase não morri de tanto medo com essas luzes.
— É, meu filho, isso é coisa antiga: Certo dia o meu avô, que é o seu tataravô, teve uma briga com um xamã e ele amaldiçoou nossa família e...
— O menino, inquieto cobra uma rápida explicação. Vô, fala logo que eu quero ir empinar pipa.
— Deixa de pressa, menino, a maldição que o xamã colocou foi de prender a alma das pessoas de nossa família que já morreram dentro das lâmpadas, e o brilho é elas se mexendo dentro do vidro. Meu avô também foi amaldiçoado e depois de 3 meses doente morreu, depois disso as lâmpadas começaram a brilhar, era a alma dele lá dentro tentando sair. O bruxo disse que ele consegue nos ver mas não consegue sair nem falar com a gente, e fica sempre agonizando lá dentro.
— Deixa de falar besteira pro meu filho, disse dona Laura.

O menino ficou um tempo pensativo, sobre a história que o seu avô tinha contado sobre a alma de seus parentes, mas logo saiu correndo para dentro do seu quarto. Lá, ele subiu numa cadeira e tirou a lâmpada, levando-a para fora. E pensou:

— Se eu não me importo com os vivos, quem dera com os mortos. Quebrou a lâmpada e foi preparar o cerol para passar na sua linha.

A mesma linha que o Demolidor usou o cerol, foi a que o matou. Na mesma tarde, após passar a solução do cerol na linha, ele deixou a linha esticada entre dois postes para que a cola com o vidro secasse e a linha estivesse cortante. Nesse meio tempo, ele decidiu jogar bola com alguns vizinhos que jogavam ao lado de onde ele tinha deixado a linha. Contudo, num momento em que a bola foi para a calçada, João foi correr para pegar e acabou passando o seu pescoço pelo fio que deixara secando. Por jar estar seco, o fio cortou o seu pescoço e atingiu a sua jugular. Joãozinho morreu lentamento agonizando, respirando o próprio sangue. Em suas últimas forças ele tentou forçar o corte em seu pescoço para parar o sangramento, mas a agonia logo o tomou e ele se debateu e sufocou-se até o último sangrento suspiro.

Seu avô não o contou, mas aquele que destruir a lâmpada será perseguido pela alma que nela estava contido até morrer em acidente ou ficar tão perturbado e cometer suicídio cortando os pulsos.

As almas continuam presas nas lâmpadas, mas outras estão soltas procurando as suas presas. 

-Jonatas Carlos




Carta para meu amigo

      Olá, não queria estar nesse momento escrevendo esta carta, pois eu cogitava tal situação e sabia que só estaria a escrever caso houvesse tal acontecimento que pode entrar na categoria de trágico. Como seu velho amigo, eu não queria, mas digo, bem que te avisei!
    Jonatas, você mesmo acredita que por mais estranha ou diferente que uma pessoa seja, sempre haverá alguém como ela no mundo, que a entenderá. Amigo, desculpa, mas se como tu mesmo dizes que cada pessoa é um mundo, a probabilidade de tal fato acontecer é extremamente pequena, especialmente em pessoas como você. Não quero te colocar em uma posição alta ou baixa, já você mesmo odeia tais avaliações, mas você deve perceber que você não é como a maioria das pessoas, você é simplesmente diferente. Aqui não quero inferir problemas ou qualquer coisa do gênero, mas que talvez pelos fatores que fizeram você chegar até o que pensar hoje, você tornou-se assim. Não se nasce diferente, torna-se diferente.
     Eu tinha dito! Ah, que infeliz amigo sou eu que já fala isso pela segunda vez... Mas pense, acredito que você não encontrará alguém que possa te entender e conviver com as suas minúcias e idiotices. Elas não sabem como coisas fora do lugar realmente te perturbam, como o atraso te deixa nervoso, como a má educação te incomoda... Olha só, tanto o silêncio como a fala te incomoda em determinadas ocasiões... minúcias. Coitado! Fosses mexer com uma esfinge que trabalha com o tempo. Pior, uma esfinge que não queria ser vista, revelou-se, revelaste-se-á, e ela usou o tempo. Ela não sabia como a argumentação que você usava que o amor é entrega fazia tanto sentido na sua cabeça? Assim como muitas pessoas, ela simplesmente escutava tal argumentação e via apenas que fazia sentido, mas não como tais coisas se alinham em sua cabeça, caro amigo. Sim, o amor é entrega, e ela não se entregou. Tempo!
     Tempo, amigo. Vou almoçar e já volto a te escrever. Mas agora coloco-te na posição dela para ver como era fácil, o que para mim será um tempo de um almoço e de um diálogo, para você será apenas passar para o próximo parágrafo, como se tal intervalo não existisse.
    Voltei, como te disse, apenas mudasse o parágrafo e logo tem essas novas palavras, viu como é fácil apenas observar a espera do outro? Quando um não quer, dois não brigam. Quando um espera, o outro relaxa. Mas nesse período eu estava a pensar como não consigo expressar bem aquilo que eu queria dizer pelas palavras. 
    Digo, talvez você tenha tomado como ofensivo aquelas minhas últimas palavras sobre você ser diferente, ou talvez eu te avaliei demais dizendo que uma relação com você é impossível. Bem, o que eu queria dizer é você se apega aos mínimos detalhes das coisas que poucos notam e realmente dá importância a essas coisinhas. Não quero que você mude, pois isso é o que você é, mas apenas lhe digo que não fiz por mal. Ah, você sabe! É uma parte do seu cérebro quem te escreve (como poderia se considerar normal?)...
    E também não te culpo. Até eu me apaixonei, meu amigo. Nós nos apaixonamos pela mesma pessoa, e nesse estranho caso, não fazíamos um triângulo amoroso. Mas o amor parece ser coisa complicada, principalmente quando um não ama, que é não dar-se. 
    Pois bem, meu amigo, escrevo-te esta carta pois estava pensando em te falar algumas palavras. Confesso que eu tinha muitas outras coisas a te comunicar, mas essas ideias que vem nos momentos em que paramos para pensar somem tão rápido quanto a escassez desses momentos. Desculpe-me.
 O amor é, antes de tudo, uma emoção que depende da loucura. Ame e enlouqueça. Só amará se enlouquecer. Loucura que é não se importar com o que os outros pensam de ti, voar sem asas, pular sem paraquedas, dar-se sem querer de voltar, dançar sem música, estar a sós no meio da multidão... o amor. Eu a amei, portanto, a amo.

Com vinho, café amargo e carinho, seu amigo Mitgipkvsky Saktikós.

Gup _ Cordel

Agora vou começar
Um cordel mal feito
Não por displicência
Pois dou-me por completo
E antes de me julgar
Deixe-me explicar
Que não sei é fazer direito.

E logo nesses primeiros
Se você esmiuçar
Sem colocar esforço
Vai logo é notar
Que entre essas rimas
Quase todas as palavras
Estão fora do lugar.

Desculpe, caro leitor
Não sei como começar
Assim como também não sei
O seu desenrolar
E o meu vizinho escroto
Ligou seu som maldito
Para me atrapalhar

Ah, querido leitor
Não visse o tempo passar
Apensar o verso mudou
Por não estar a esperar
Mas aqui eu estava aflito
Por nada ter escrito
Até o som deligar.

Agora sem mais delongas
Devo logo começar
Pois agora decidi
Do que eu vim falar
E é duma infeliz saída
Numa chuvosa segunda
com a menina do mar.

Já começou errado
Pois onde eu queria estar
Era no parque arruda
Mas pra me fazer esperar
Ela não quis ir
Sabendo o que iria vir
e tentando de matar...

Nada de drama aqui!
Matar, sim senhor
Pois se não morro doente
Já morro é de amor
Pois até na segunda opção
Ela também disse não
E logo logo cancelou.

No meio de tanto erro
Vejo que também errei
Pois só queria falar:
Aonde ela foi eu irei
Foi assim que "decidimos"
E numa noite de mimos
Nos teus braços fiquei.

Foi na segunda feira
Dia 5 de setembro
Que era de bica e cinema
Findou em dia macabro
Pois de recusa em recusa
Fomos pra praia com chuva
Cenas que bem me lembro:

Antes de vir a primeira
Deixe eu lhe situar
Pois nessa história
Queríamos nos encontrar
Como dois amigos estranhamos
Pois com todos os acanhos
Há é amor no ar.

Assim nessa história
Qualquer olhar conhecido
Que capture nós dois
Não sei nem como explico
É como um holofote
Ou um grito bem forte
No que estava escondido...

E tal ato aconteceu
Mas foi ainda pior
Teve pequeno diálogo
Onde tive que expor
Com pequena explicação
E recebi uma expressão...
"Acuda-me, ó Senhor!".

A segunda cena se deu
No meio da lotação
Foi besta, certeza
Mas se deu com a mão
Da jovem mais bela
Que nem pintada em tela
Mostraria tal perfeição.

Coisa de enamorada
Pois o que mesmo ficou
Foi uma besta dúvida
Que só na ideia morou
De segurar a mão dela
Da tão doce donzela
Mas o trajeto findou.

Linhas medíocres!
Que eu autor inventou
Pois falo-te logo
O que o cérebro notou
Era uma bobagem bela
Como uma cena de novela
Que o verso não passou.

Aviso-te atrasado
Meu querido leitor
Meus versos são pobres
Pois não sou escritor
Mas que pela Marinho
Esqueço-me todinho
Deixo até de ser Dr.

Voltando a história
Enfim chegamos na praia
Mas o acaso reservou
Não uma noite de sandália
E sim para cobertor
Pois do alto Deus gritou
Que todo céu agora caia.

Caia chuva ou fogo
Quereria era me molhar
'Que esse céu desabe
Pois eu não vou ligar'
Se eu ficasse onde estava
Ali até me ensopava
Mas com a menina do mar.

Mas dia de contrariação
É duro como rapadura
E se esfarela todo
E até sua doçura
Vira café sem açúcar
Que vem para amargurar
Toda e qualquer criatura.

Caia chuva ou fogo
Eu queria era ficar
A noite toda abraçado
Com a rainha do esperar
Mas se o tempo foi contra
O que tive foi uma amostra
Grátis pra logo aproveitar.

Ah! Que noite maluca
Pois foi toda ela assim
Um corre corre da chuva
Mas com ela outrossim
Correria o tempo todo
Se fôssemos lado a lado
Juntinhos até o fim.

Não sei se é de cordel
O que quero contar
Mas vai assim mesmo
Pois onde eu queria estar
Ela ali abraçadinho
Com a menina Marinho
Até o mar secar.

Mas então, como seria
Viver naquele barraco
No meio daquela praia?
Fico em qualquer buraco
Se estiveres ao meu lado
Com teu amor bem guardado
Moro em qualquer pedaço,

Pois a minha cabeça
Funciona como uma vitrola
Que onde quer que eu esteja
Toca aqui toda hora
Seja no verso
Ou no reveso
Sempre uma tal de Carola.

Sim, queria mocinha
Estou indo amar-te
E carrego meu coração
Assim sempre vou levar-te
Não importa o que vou fazer
Seja onde eu estiver
Até no meio de marte.

Tenho que voltar a praia...
Pois os beijos que nela dei
Sempre passa no vinil
Acredite, pois os contei
Sobre a pele de veludo
Calculei eles ao todo
E deu: Um eu te amei.

Mas o acaso danado
Logo tudo transformou
Pois não é que ele
Com quase tudo acabou
Já que isso era escondido
Um caso meio encardido
E aos meus pais quase mostrou.

Melhor, decerto viram
Já que ficaram calados
Quando eles passaram
Meio que acanhados
Pior que nós não estavam
Mas as horas já passaram
E eles continuam mudos...

Dia 5.7 de 2016
Dia que cordel virou
Portanto, agora eterno
Mas já bem feliz estou
Pois como num sonho
Foi com a Marinho
Que meu dia findou.


Por Jonatas Carlos

Déficit de visão

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Olá, olho que me lê, desculpe pelo texto que agora estará sendo jogado e a pressa com que venho a jogá-lo, mas preciso escrever esse pequeno detalhe da vida cotidiana antes que eu vá dormir e esqueça.

 O fato aconteceu no ônibus quando eu voltava hoje do meu curso de inglês, o ônibus não estava lotado mas tinha algumas pessoas de pé (inclusive eu), contudo, logo apareceu um lugar para que eu pudesse sentar logo em frente de onde eu estava. Assim, olhei para os lados para ver se tinha algum idoso ou senhoras ao meu lado para que eu cedesse o lugar, e tinha. Moça, você quer sentar?

  A mulher, olho, era um senhora com seus 45 anos que estava de pé em frente ao banco que estava ao lado do banco que eu estava. A resposta dela foi um simples não. Um simples e calmo não. Querido olho, vês como as palavras em muitas vezes conseguem emitir o que realmente queremos falar? Principalmente quando quem está escrevendo-as é um horrendo escritor como eu. Pois o que realmente me chamou atenção - e é o que vim lhe falar aqui - é que a mulher tinha uma deficiência nos olhos...

 Uma deficiência, mas talvez não um defeito. Confesso que de princípio tomei um pequeno susto... susto não, entre um susto e algo que me chamou muito a atenção: Um dos olhos da mulher era arregalado (que palavra feia), ele não era exatamente estufado, mas parecia observar tudo o que se passava ao redor da mulher em 180º, ele era grande. Pior, tal senhora gostava ou tinha por mania o hábito de olhar para todos os cantos, ela estava sempre mudando a mira dos seus olhares, sempre passando por mim (que quase a encarava por uma questão de instinto curioso). Talvez esse fosse o tamanho normal do olho dela, que poderia se dar pelo contraste com o outro olho: Este era cerrado. Desculpe a comparação, mas como quando aqueles atores dos filmes do velho oeste fitavam o inimigo. Ele ainda apresentava os aspectos de grandeza (gigantística grandeza) do outro olho, mas agora cerrado.

 Uma deficiência, mas não um defeito. Um olho era de total atenção e o outro era de total suspeita.

 Tenho que dizer-te, olho que me lê, que fiquei um pouco agoniado olhando para aquela mulher. O simples não que ela me deu me obrigou a encará-la por um bom trajeto da viagem do coletivo. Minto, encaixe o último fato que acabei de falar com a minha curiosidade, não parei de encará-la.

 Assim, surgiu-me algumas reflexões, algumas já esqueci (motivo pelo qual escrevo este texto antes de ir dormir, mesmo estando muito cansado, para não esquecer ainda mais), mas lembro-me que pensei no fato de a mulher ser gorda, digo, de uma forma educada, um pouco cheia. A partir disso fiquei pensando se ela comeria muito com o olho que tudo vê ou com o olho que espreita. Cheguei a conclusão que o olho que tudo vê pouco desconfia, enquanto o outro olho parecia gritar desconfiança. Assim, decerto ela comia muito com o olho atencioso.

 Olho que me lê, saibas que escolhi esse destinatário para isso que agora escrevo de forma aleatória, foi o que me veio a mente, nem pensava na mulher. Mas o meu subconsciente deve ter ligado as coisas de alguma forma e me fez escrever-te.

Desculpe-me, escrevi várias coisas sobre a mulher e os seus defeituosos olhos e cheguei apenas no fato de que ela era gorda com o olho grande (desculpe, de novo, este trocadilho, não foi intencional, maldito subconsciente, ele que nos dão essas ideias). Mas digo que também pensei em várias especialidades que essa mulher poderia ter. Por exemplo, se ela fitasse um mesmo objeto, ela tanto o veria holisticamente, ou pelo menos mais do que nós, como o veria de forma suspeita, qualidade digna, tudo vê e suspeita o que vê.

Ah, mas aqueles olhos, quando eles passavam por mim me causavam uma agonia, ela tanto me olhava quanto desconfiava. Ela olhava para frente e estava desconfiando de tudo com aquele olho apertado. Confesso que tive outros pensamentos que beiraram as besteiras filosóficas, mas não sei como descrevê-las e nem as quero, pelo cansaço; além das quais eu já me esqueci.

Olho, querido olho que me lê, fico pensando agora qual entre aqueles dois olhos eu carrego comigo. Será um meio termo entre os dois? Qual seria o melhor para mim? E tu, olho? Qual olho que tu és, que tudo observa, ou o que tudo suspeita? Queres mudar?

Eu quero, quero ser mais suspeito. Quero ter uma deficiência mas não ter um defeito. Só não quero ter esse déficit de visão que todos os outros do ônibus e a maioria do mundo parecem ter.

Os recursos naturais que uso para descrevê-la estão se acabando, chama o cupido

Os recursos naturais que uso para descrevê-la estão se acabando, chama o cupido

Quão incrível natureza
De Deus bela feitura
Agora esconde a tristeza
No meio de tanta fartura...
Pois o que era pra ser vivida
É tão somente observada
E consumida pela espera.

É um amor escrito
Por um consumo linear
Num sistema finito...
E se eu não te alcançar
Com tais recursos escassos?
Será que com esses passos
Poderia o amor aguardar?

Sistema que não é ciclo!
Com perguntas sem respostas...
Pois coloquei em todo ambiente
Com essas linhas tortas
Em ti meu pensamento
Que agora fica ao alento...
Mas o amor tudo suporta!

Versos forçados
Pois sou surdo e mudo
Não sei escrever
E agora neste mundo
Nesse cinema sem falas
Sempre desencontras
Aquela pele de veludo.

Voltando a escassez...
O que falta utilizar?
Já que humano é bicho burro
Pois sabendo que vai findar
Ama e não recicla
Quer e não re(utiliza)
Até um dia acabar...

Ah, nuvem querida,
Preciso me desculpar
Pois o terceiro 'R'
Não vou utilizar
Reduzir? Nem pensar!
Pois eu vou lhe esperar
Até a água findar
E até a última gota
Do oceano secar.

Me perdoem, ambientalistas,
Mas esses recursos serão
Em versos esgotados
Pois com tanta paixão
Continuarei a d(escrevê-la)
Que é presenteá-la
Até o mar virar sertão.


-Jonatas Carlos, 03.09.2016









Saudades

Saudades

Agora que você se foi
Digo que sinto saudade
Pois enquanto ao meu lado
Eu nada sentia
Só não sei se é tarde...
Fui no dicionário de inglês
E ele disse que só em português
Que eu sentiria essa falta
Quando você se fosse...

Mas se quiser voltar
Essa toda saudade
Vai estar aqui guardada
E sentirei sua falta
Mesmo aqui ao meu lado...
E te amarei
Como te amo
Quando estou com saudades.

-Jonatas Carlos, 17.09.2016

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