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Entre os meios

Intervalo Comercial

Escutarei o silêncio
que sopra ao relento
das páginas ao vento
do coração desatento
da mente em espera
do livro que espera
do poema não lido
do amor não sofrido
em versos escrito
o ser em conflito.


O hiato não para
não é uma pausa
não cabe em um ser
é constante mudança
meio de criação
fim de um começo
mas não o seu término...

Poesia, tu és um anjo
caído
em um hiato
entre as partes que importam.

-Jonatas Carlos, 04.06.2016

O hóspede quer papel

Resultado de imagem para macaco vintage  Venho hoje mais uma vez te contar um sonho. Como de costume, um sonho que foge de quaisquer padrões lógicos que eu consiga conceber. O que eu fico pensando é: Por que diabos eu fui pensar esse sonho? O que tinha em meu subconsciente? Pois como você bem sabe, os sonhos não são criados em nossa cabeça, mas são uma reformulação da realidade.

  Diante disso, aqui vai o meu sonho:

 Não sei exatamente como começou, mas lembro-me que eu conseguia pensar durante o sonho e me questionava se isso era uma realidade ou se era algum tipo de alucinação. Depois disso, sei que estava entrando em um carro com um tio meu, o chamarei de Carno. Ele, por sua vez, perguntou o que eu queria, eu disse que queria apenas andar de carro. Contudo, chegando em um bairro da cidade em que eu moro, chamado Cruz das Armas, eu pedi para descer: Era em uma rua calçada, muito larga, com certo declive e a casa em que fui entrando era uma casa de placa branca, muro baixo, portão também branco e baixo, me lembrou as casas do interior, bem simples. 

  Com efeito, não conseguirei expor uma sequência lógica para o entendimento estrutural dessa casa, portanto, vou logo explicar de uma vez por todas como ela era por dentro: Na primeira parte da casa, parecia ser uma casa normal, sendo toda quadrada, com um sofá marrom de camurça, toda branca e seguia uma ótima organização. Contudo, ao sair pelo porta de trás, eu entrava em um grande caixote, algo que me parecia aquele cenário de televisão-teletransporte do filme mais novo da fábrica de chocolate, mas esse grande caixote branco e reluzente servia apenas como passagem. Sim, do outro lado tinha uma outra porta que dava para uma grande selva fechada, lembro apenas que tinham macacos, muitas árvores e vegetação fechada, mas era muito bonito, talvez me lembre algum jardim que já vi em minha vida, mas não lembro qual. Sim, todas essas coisas estavam dentro da casa e foram acontecendo ao longo do sonho, não me pergunte como, por isso decidi explicar toda a casa logo aqui. Acredito que a casa deveria ter uns 5m² em sua primeira parte e uns 15m² em cada uma das outras duas partes.

  Retomando ao sonho em si. Assim, logo que cheguei na casa, percebi que eu estava de certo modo fugido, não como um bandido, mas que eu estava tentando fugir do mundo e da minha família. Lembro-me de ter trazido o meu celular e o da minha mãe, com o objetivo na cabeça de que se eu pegasse o celular dela, ela não teria como me ligar, lógica de sonho. Lembro-me também que de princípio eu comia banana, pensava em que cozinhar para uma refeição, enquanto eu estava estudando, talvez grego. Recordo-me agora que parece que havia muitos livros e papéis jogados pela casa. Jogados não, organizados. Lembro que escrevi alguns poemas e alguns editoriais, não sei o que, mas sei que eu tinha na cabeça em como enviar aquilo para alguém, que não sei se exatamente existia.

   Nesse meio tempo, lembro de ter ficado uns 3 dias nessa casa, não sei o que fiz. Mas sei que estudei e li bastante, fui algumas vezes visitar a selva e que em uma dessas vezes um macaco tentou fugir: ele saiu pela porta da selva e saiu "andando" pelo teto liso do quadrado branco. Quando eu digo macaco, é macaco mesmo. Aqueles orangotangos. Aaah, lembro-me agora que esse macaco que fugiu era igual ao do filme "O hóspede quer banana". Nostalgia, eu tinha esse filme em vídeo-cassete.

   A partir daí o sonho começa a ter um certo sentido, pois olho pela janela da frente da casa e vejo que uns 2 carros com pessoas de família chegaram. Todos ficaram dentro do carro, exceto minha mãe. Ela, que saiu com seus intocáveis cabelos de fogo, que tentam forçar uns cachos, e seu velho vestido branco com rosinhas. Lembro que meu pai ficou olhando com uma das mãos do lado de fora do carro, como aqueles caminhoneiros. Ela chegou ao portão e ficou me chamando. Nesse momento, eu olhei para o lado e troquei uns olhares de questionamentos... com aquele macaco que tinha fugido...

   Acredito que o sonho não tenha acabado aí, nem que eu só tenha sonhado o que agora me lembro. Melhor, tenho certeza que o sonho tinha muitos detalhes e que o sonho não acabava aí. Mas é até essas reticências que minha mente limitada e infeliz consegue lembrar. 

Sonho na madrugada do dia 02.06.2016



-Jonatas Carlos

A arte no picadeiro

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 No último domingo, dia 29.05.2016, eu tive a oportunidade de conhecer os bastidores do maior espetáculo da arte circense que existe no mundo. Diferentemente de todas os eventos que acontecem envolvendo esse circo, parece que eu fui escolhido para assistir tudo dos bastidores. No entanto, fiquei curioso com o fato de que algumas pessoas que me acompanhavam, com o mesmo propósito que eu, disseram que seguiram o protocolo da empresa e chegaram ali através da ação do acaso.

 Acostume-se, meu caro leitor, esse nome acaso será muitas vezes aqui citado, e não terei preocupação em colocar algum sinônimo, pois acredito que não haja sinônimo que traga o exato e profundo significado que essa palavra carrega: acaso. De modo que essa expressão será demasiada usada pelo fato de que todo a arte que envolve a apresentação e quem a vê é escolhida por ela. 

 No entanto, mesmo antes de chegar aos bastidores, uma grande dúvida já me batia a porta, e logo tentei perguntar para o nosso guia, que tinha o apelido de Açis:

— Você sabe informar o motivo de que a entrada é gratuita? Como vocês arrecadam? Quem vocês decidem quem entram ou não?
— Olhe quanta coisa bonita que temos aqui, você realmente quer perder tempo com essas perguntas estranhas? Você sabe que nunca mais voltará aqui, não é?
— Sim! Insisti. É por estar aqui apenas uma vez que quero saber essas informações.
— Pois bem, Martelo. Tudo aqui é gratuito pois tudo que fazemos aqui é simplesmente ordenado ao acaso, a escolha do figurinos e figurantes, a entrada das pessoas...
— Mas, oras como? O que acontece com os outros?
— Simplesmente rejeitados, perderam a oportunidade para sempre de entrarem no picadeiro. A vida é assim, disse ele.

 Aquelas palavras me fizeram refletir por um bom tempo. Ele nos levava a todos os recintos e eu o acompanhava apenas em passos, minha cabeça estava longe: "Tudo gratuito, platéia e figurantes aleatórios, como pode isso ser o melhor circo do mundo?"

 Mas Açis, como quem lia meus pensamentos, me disse: Foi por isso que escolhemos você, você pensa. Assim, te deixarei aqui com a nossa apresentação principal, enquanto continuarei a mostrar o que existe por detrás dos holofotes para os outros.

— Olhe, Palhaço Óbvio, trouxe alguém para a sua companhia: Martelo, um de nossos escolhidos para conhecer o picadeiro, mas esse daí parece que está com defeito, não está interessado em ver nossos camarins e a mágica que acontece por nos camarins. 

 O Palhaço Óbvio parecia desinteressado no que o guia falava, ele estava muito ocupado revirando e rasgando alguns papéis. Desse modo, fazendo jus ao meu nome, logo perguntei:

— O que fazes? Por que estás tão concentrado? 

 Sem respostas. Assim, decidi pegar um dos pedaços de papel, já rasgado, e li uma ótima anedota: Era engraçada, subjetiva, crítica e questionadora. 

 Por que? parece que todos ali liam meu pensamento...

— É, viu? Te fiz pensar, não posso apresentar isso —  disse ele me entregando outro papel, mas com certo nojo — Aah, não gosto que me chamem de óbvio, meu nome é Cogito.
— Desculpe-me, Cogito, mas permita-me perguntar o motivo de que essa apresentação não pode ser apresentada?
— Ah, caro Martelo, esse é seu nome mesmo? Arte! Nosso circo não pode fazer apresentações críticas ou não-óbvias, afinal, com todo esse povo entrando ao acaso, se fizermos qualquer alteração que dificulte o entendimento ou que o façam pensar é um problema: Eles não entenderão, farão críticas e deixaremos de ser o melhor circo. 

Arte moderna! Exclamou ele.

 Falando isso, ele pensou "Ah, arte, você virou a puta do senso comum". Mas como era uma frase pesada, ele decidiu não me falar.    Como eu a vi? Bem, ele deixou escapar pela cartola, esqueceu que a cabeça dele tinha um grande oco na parte de cima, coisa de palhaço.

— Não, meu nome não é Martelo, meu nome é Sáti...

 Me interrompe, o nosso guia Açis, falando que a apresentação já deve começar e que eu devo ir para a platéia. Não tive escolhas.

Quanta infelicidade! Me sentei no meio de toda aquela multidão que ria e pensavam nos melhores desejos, ou seja, não pensavam. Digo isso pois, se pensassem elas estariam triste, como estou agora.

 Tudo é uma farsa, gritava eu em pensamento. Digo, toda a apresentação realmente parecia muito linda, mas vazia de significado, de sequência, de ritmo, o entretenimento apenas... entretinha. Será que eu realmente deveria gritar para todos ouvirem? Mesmo se eu tentasse, não daria certo, eu seria o criticado e taxado de errado. Taxado! 

Nesse momento o palhaço cogito entra em cena, transvestido de óbvio, alegrando toda a platéia, incendiando o picadeiro, muita festa, barulho e alegria, quantos adjetivos supérfluos e inúteis. O palhaço? Feliz, como todos viam, contando suas anedotas e realizando as suas travessuras. Ah, arte, como és tão bela!

Nesse momento, pensei eu: todos vestem uma máscara, um para encobrir a verdade e outros para esconder a ignorância, mas esses últimos não parecem saber que assim o fazem. O show acabou... fui eu embora, sorrindo é claro, sabia que nunca mais voltaria ali, espetáculo que só pode ser assistido uma vez na vida. Vida única e infeliz. 

 Vida, saí do circo, conheci a arte e continuei no picadeiro. 

-Jonatas Carlos

Poemas da Menina do Mar



Mãe, você é poesia
Minha fiel companhia
Desde sempre
Desde o ventre.

Você me ensinou quase tudo
Inclusive a sorrir
E agora que cresci
Consigo encarar o mundo
Mas se for preciso
Eu encaro com meu
Melhor sorriso
Que é igualzinho ao seu.

Mãe, você é pintura
A mais bonita e colorida
De Deus, escultura
Cuidadosamente esculpida
Você revela a perfeição do criador
Que te criou com tanto amor.


Você escolheu me dar à luz
E nenhuma palavra traduz
O tamanho de minha gratidão.

Eu não te escolhi
Eu não tive outra opção
Mas se houvesse tido
Eu ainda teria escolhido
Segurar a tua mão.

--

A loucura é vã
Mas até a mais sã
Dentre as mentes, também
Do que te vale
Um bocado
A mais de juízo
Se até isso
Um dia lhe será tirado?
"Até mesmo a própria vida será"
Exaustivamente repetem
Dentro desses vãos
Todos se perdem.

--

Manhã de domingo
A vida definhava
Na calçada
Ninguém olhava
Mas eu vi
Ali
Sob um céu claro
A vista ficando escura
Sob raios ralos
E com brandura
Me apeguei à ingenuidade
Pensei: não é a morte
Na verdade
É apenas um eterno banho de sol.

--

Na sala de espera
há gentes e gentes.
Uma  senhora concentrada
tira discretamente
pelinhos de sua sobrancelha;
outra olha no canto oposto,
a senhora concentrada
tirar pelinhos
da sobrancelha;
outra senhora
(Salas de espera são cheias de senhoras,
talvez viraram senhoras de tanto esperar)
de blusa rosa conversa com outra
e a olha por cima dos óculos,
mas levantou-se, pois sua vez havia chegado;
ah, sim... Finalmente!
Agora, concentro o olhar
e observo que as pessoas da sala
já não são as mesmas;
somente eu,
a mesma,
a mesminha;
escrevendo ninharias,
parada
no tempo perdido
que se perdeu por correr demais
(Perdi a hora do meu poema
De versos brancos).

--

Versos brancos sobre o escarlate da dor

Corte na carne crua
A dor exposta
Em carne viva.

A ferida
A angústia escarlate
Não permanece aberta
Para sempre.

A dor é ridiculamente
Boba
Irrelevante
Coisa pouca.

O que importa
Meu caro
É a convalescença
O galardão.

A cicatriz
É marca registrada
Do sobrevivente
É honra ao mérito.

O canto de Isaura



Desd'o berço respirando
Os ares da escravidão,
Como sempre lançada
Em terra de maldição,
A vida passo chorando
Minha triste condição.

Os meus braços estão presos,
A ninguém posso abraçar,
Nem meus lábios, nem meus olhos
Não podem de amor falar;
Deu-me Deus um coração
Somente para penar.

Ao ar livre das campinas
Seu perfume exala a flor;
Canta a aura em liberdade
Do bosque o alado cantor;
Só para a pobre cativa
Não há canções, nem amor.

Cala-te pobre cativa;
Teus queixumes crimes são;
É uma afronta esse canto.
Que exprime tua aflição,
A vida não te pertence.
Não é teu teu coração. 

Do livro "A escrava Isaura" de Bernardo Guimarães

O Chato e a sociedade

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 O Chato e a sociedade

  Na madrugada de ontem para hoje, 03.06.2016 eu me senti um verdadeiro padre. Bem, esse ofício me foi dado em uma viagem em que eu estava fazendo. O local, para ser mais preciso, era uma poltrona de um boeing da TAM com destino a Brasília. Estava eu indo a Brasília para fazer uma conexão, pois o meu destino final era a grande Las Vegas. 

  Você pode estar se perguntando: "Onde entra a história do padre?". Calma, meu caro blog, primeiro tive que apresentar a situação. Dada, saibas que eu fui o padre por duas horas de um homem chamado... não sei se os padres podem revelar a identidade de quem entra no confessionário, então não posso te contar... O nome dele é Hipócrates, ofício passageiro o meu, literalmente. Esse nome, disse ele, é um homenagem ao primeiro médico e foi lhe dado por seus pais, que também são médicos, com o objetivo de moldar o filho para essa ciência desde o berço.

  E foi a partir a dessa simples cordialidade de breve comunicação com o seu companheiro de viagem que eu virei temporariamente santo, assim como os padres, quando entram na caixinha de madeira. No meu caso, era um luxuoso cubículo de plástico rodeada de ferro. Garanto-lhe que o confessionário deve ser mais confortável. Mas ainda assim é luxuoso, pois há muitos que ainda não o conhece, garantido o adjetivo.

  Branco, barba perfeitamente feita, camisa social, cabelo baixo nos lados e bem penteado em cima, bem arrumado, sapato aos trincos, postura perfeita e dentro dos padrões aceitáveis de músculo, melhor dizendo, ele se encaixava em todos os padrões sociais. Contudo, aconteceu:

— Como pode, não aguento mais, caro Saktikós. Disse ele, em um tom de lamento.
— Que te passas?
— A vida, ah! vida, maldita que me passa.
— Como? Não estou a te entender, pareces ser um homem bem sucedido. 

 Foi nesse momento que a estrutura perfeita de homem se desmoronou em lágrimas, essas que me faziam refletir sobre a probabilidade de embriaguez ou loucura. Loucura? Não pode ser, ele está arrumado, pensei. Mas ele também não se apresenta como um bêbado.

 Enquanto eu pensava, o cidadão iniciou um lamento que deve ter ultrapassado o de Napoleão quando invadiu a Rússia, o homem derramou o seu coração ao meu lado. Bulufas! Não sou médico. Fiz, é claro, o que todos fazem nessa situação: Olhei para ele, fiz gestos de interesse e o ignorei totalmente em pensamento. 

 Trinta minutos! Trinta minutos de melúria e fingimento. Melhor dizendo, acredito que uns 23 minutos; 7 ficaram para a reza e a benza que ele fez no momento da decolagem. Pois, é claro, os deuses nos ajudam em tudo, devia pensar o homem enquanto chorava ao meu lado.

 Depois de alguns instantes, um silêncio tomou conta do avião.

Ele me olhava diretamente e o seu comportamento esperava uma resposta:

— Então?

 Eu também estava olhando fixamente para ele, mas eu estava pensando nas ações da Petrobrás. Mas ah, boa experiência, já sou homem. Portanto, consegui rapidamente inventar uma história que pudesse fazer concordância com o que ele devia esperar que eu respondesse. Deu certo. Não me julgue de sem coração ou algo do tipo, algoritmos, me diga qual diálogo não é assim hoje em dia?

 Não sei o que respondi, não me lembro e não pensei, apenas sei que disse o que ele queria ouvir, algo que não deve vir acompanhado dessa conjetura. Porém, ele mostrou-se ainda mais instigado a falar:

— Você não sabe como essas palavras ecoam em meu coração, meu colega, pois saibas: Não segui a carreira médica, me formei em filosofia e matemática, segui a carreira acadêmica, sou Cristão, procuro fazer o bem sempre que posso, mas...

 Uma pausa. 

 Aproveitarei essa pausa para falar-te que nesse momento estava eu pensando: Chato. Será que ele não percebe que eu poderia estar agora assistindo algum filme, falando com alguém pelo meus aplicativos de comunicação, jogando ou até mesmo dormindo? Chato! Mas, como um bom clérigo, continuei a fingir que estava prestando atenção.

—... Eu faço o que devo.
— Oras, como trazes isso em conjunto com um adversativo?
— Não entendes, Saktikós? Fala o que pensas e faz o que deve e serás enquadrado...
— Calma, calma, bom homem, não é assim, calma. Disse eu, como um bom padre. Pois sabendo o que viria, sabia que seria um ataque que me atingiria.
— ... de chato, ignorante, orgulhoso e todos os adjetivos que representem alguma desvirtude.

 "Soldado ferido, fui atingido." Meus pecados também estavam ali, mas eles estavam escondidos. E é por conhecê-los que eu poderia elaborar a melhor resposta. 

— Meu caro jovem - disse eu como um bom padre - nossa sociedade é assim mesmo. Veja, eles buscam apenas as aparências, querem ser reconhecidos, ter fama, dinheiro, querem ser vistos de um bom modo. "Bom", que palavra complicada. Deixe-me levantar uma pequena questão filosófica com você. O que é bom?

— Acredito que bom seja aquilo que esteja atribuída a uma boa ação.
— Estás certos em partes, ao mesmo tempo que muito enganado. Boa ação, sim. Mas a boa ação que temos em nossa sociedade não passa de um fingimento, hipocrisia e, quando menos, uma auto-enganação. Existe um padrão ignóbil onde nos temos que nos mostrar sempre perfeitos, homens de ferro, sem erros, não pode ser sério, não pode rir demais, não pode tocar... Dane-se! 

Quanta ironia, estava eu colocando tudo que eu era como um conselho para não ser seguido, talvez pela experiência. Sim, blog, errei. Disse a palavra que em minha posição eu só poderia fazer em pensamento. Dane-se.

— Você tem razão. Mas diga-me, o que fazer? Devo continuar a ser "chato", digo, correto?

Olhei para o relógio e vi que a nossa conversa tinha rendido, já estava eu perto de meu destino. Olhei por cima de minha poltrona e observei que tinham muitas ainda vazias. As palavras que aquele homem me tinha feito dizer e pior, pensar, me incomodavam e rasgavam minha alma, grande chato e infeliz. 

— Vou ao banheiro, licença. 

No entanto, enquanto eu saia, eu lhe disse rapidamente e com certo tom de furor:

— NÃO!

Saí, procurei outra poltrona e não voltei mais. Espero nunca mais vê-lo, que morra só! Passagem mais cara que comprei em minha vida, a viagem custou-me 700 reais e um espelho.

-Jonatas Carlos

Ainda não terminei a história, mas estou com preguiça.

Aprendendo a aprender



 Posso falar que em certos momentos eu fico pensando o quão burro eu sou. É uma simples regrinhas, duas, são simples regrinhas. A vida é composta da união de simples regrinhas. Como eu não consigo aprende-las? E cá estou buscando aprender outras línguas sem ao menos saber as regras básicas do português. A partir disso, eu fico refletindo sobre os objetivos que devo traçar para cada ano.

 Mas antes de falar sobre os meus objetivos desse ano - que no final será o objetivo desse meu tempo gasto escrevendo este post - preciso falar o quão diferente esse ano está sendo e será. Bem, eu sempre fui um indivíduo que toda minha vida era voltada para estudar. Meu hobbie? Estudar, ler e jogar. Bem, essa é a definição que algumas pessoas utilizam para encaixar os "Nerds" ou CDF's. Não gosto de me definir assim, ainda mais quando essas definições se encaixaram em uma moda. Odeio modas. Uma pausa, percebo agora como sou ruim na escrita pois estou sendo prolixo em um parágrafo que foi prolixo para o texto, fim da pausa. Voltando, todo meu ensino básico de educação foi voltado para esses três pontos, tendo como premissa básica uma vida segundo os padrões cristãos e quando na minha adolescência, reformado. Assim, depois do ano passado ser mais um ano entre os anos que passei trancado em meu quarto estudando, passei pelo enem para o curso de medicina em uma universidade federal. Você pode dizer que isso é uma grande conquista e eu deveria estar feliz. Não minto, estou. Mas não quero considerar que esse curso é melhor do que os outros simplesmente pelo status que lhe é inferido pela sociedade, estou esperando para começar um simples curso como qualquer um outro na universidade. E aí jaz a questão: Esperar. Eu passei para o período 2016.2 que teoricamente deveria começar em meados de junho e julho. Contudo, com a greve nas universidades federais que aconteceram em 2015, minhas aulas só começarão no final de 2016 ou até mesmo no começo de 2017. Você não tem ideia de como eu já repeti isso para todas as pessoas que vieram me perguntar sobre o início do meu curso. Agora, tudo que me resta é esperar sem ter absolutamente nada a fazer, melhor, estou enchendo minha cabeça de ócio ou de ideias as quais apenas as cabeças vazias pensam, e isso pesa. Esse parágrafo já ficou pesado demais, melhor passar para o próximo.

 Diante disso, cá estou tentando traçar um objetivo para esse meu ano de total inutilidade e tempo livre, do meu ponto de vista.

 Uma das primeiras coisas que pensei como meta a partir do último post - o qual me fez escrever este - é a busca por tentar entender e compreender um pouco mais das belezas e minúcias da nossa bela e complexa língua: O português. Aqui pretendo buscar criar uma boa base de gramática, buscar conhecer a nossa genialidade no campo da literatura, buscar praticar escrevendo o máximo que eu conseguir (espero que este blog seja minha eterna e inacabável folha de ofício), quem sabe tentar aprender um pouco sobre escrever poemas, rimas e prosa e (deixo as reticências para representar tudo aquilo que minha criatividade não alcançou, mas que um dia alcançará quando eu pensar sobre o assunto; também sobre aquilo que minha criatividade não alcançou e nem alcançará; e sobre o que a sua criatividade pensou) ...

 A segunda coisa é tentar buscar melhorar meu entendimento sobre as artes em geral. Música, desenho, literatura e história da arte. Aqui minha mente ficou bem mais limitada, mas não tenho menos assunto para entender. Diante disso, aqui deixo a minha ideia para aperfeiçoar a minha prática no violão para alcançar um nível em que a resposta sobre quando alguém me perguntar sobre a arte de tocar algum instrumento seja: Sim, sei tocar violão. Os demais devem seguir a mesma lógica.

O terceiro e talvez último objetivo é alcançar a fluência na língua inglesa e iniciar os meus estudos em alguma outra língua. Estou entre grego, espanhol, francês e alemão. Não sei qual escolher, talvez escolherei todas.

Bom, não era meu último objetivo. Para o quarto, deixo o espaço que será colocado como meu objetivo principal: Buscar a loucura do entendimento do significado da cruz. Um fato é que tentei apenas enfeitar a fala de que estudarei teologia com o objetivo de crescimento espiritual individual. Por mais que essa última frase pareça um tanto quanto distante para minha cabeça racional, ignorante, orgulhosa e antropocêntrica, ela está tão perto e tão viva que me faz renovar todas as minhas esperanças e forças que preciso para continuar caindo, me faz ver além do que eu consigo imaginar, me mostra quão miserável pecador e não merecedor de nada que tenho que sou. Aqui também incluo o estudo da filosofia, áreas próximas.

 Talvez, como quinto ponto, incrementar minha vida amorosa. Confirmo, talvez eu preciso de uma mulher para que possamos nos ajudar. No entanto, como Descartes (bom, eu atribuo essa frase a ele, não lembro se a li no livro Discurso do método, não sei se estou certo) disse, digo eu que Deus me concedeu dois cérebros e nenhum coração. Não por inteligência, mas por demasiada racionalidade e escassez afetividade. Ele também esqueceu da beleza. Ambas as últimas duas coisas, mas principalmente a primeira, eu invejo de muitas pessoas. Perdoem-me. Além, é claro, da minha baixíssima capacidade de socialização que é normal para quem ficou mais tempo só em seu quarto do que acompanhado. Parte excluída em 01.06.2016 .Sim, em arte de ser romântico eu tenho que tudo aprender. Parte também retirada, pois o que era doce, se acabou. Assim, cada dia mais eu acredito no criacionismo.

Fica aqui meus objetivos. 04.04.2016 às 20:34

-Jonatas Carlos

Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil

Lobo-guará

A intolerância religiosa no Brasil começou assim que o primeiro barco Português atracou no "novo mundo". Contudo, esse problema não ficou apenas no passado, mas persiste até os dias de hoje. Tal continuidade demonstra a selvageria e desrespeito da humanidade, sendo estas frutos da natureza humana em consonância com a má aplicabilidade de um contrato social.

Nesse contexto, é válido lembrar que intolerância é exercer qualquer autoridade sobre a vontade do outro sem a sua permissão. Desse modo, em um país multi-religioso, como o Brasil, esse mal vai muito além de números e afeta negativamente a vida de muitos brasileiros que são excluídos ou discriminados por seguirem determinadas crenças. Assim, uma solução possível para este problema seria algo tão simples quanto raro: respeito.

Seria, no entanto, utópico negar a natureza humana e depender somente de uma virtude para solucionar tal adversidade. Nessa perspectiva, Hobbes torna-se atual e a ideia do homem ser o lobo do próprio homem ganha sua versão "guará". Para isso, vale lembrar que a intolerância e desrespeito está intrinsecamente ligada à má natureza do homem. Dessa forma, faz-se necessária a ação do Estado como regulados de um contrato social que garanta a liberdade de todos.

Observa-se, portanto, que o problema da intolerância religiosa no Brasil é histórico e uma das faces da depravação das virtudes humanas. Sendo assim, faz-se necessária uma visão pragmática por parte do governo, que deve intensificar as punições da lei para tal crime, com o objetivo de coerção imediata desse entrave. Além disso, as escolas, concomitantemente com as famílias, devem educar os mais jovens com ensinos voltados ao respeito, altruísmo e liberdade de expressão. Somente assim o povo brasileiro estará consciente e irá à caça aos lobos.

Sonho em vida de hora infinita

Sonho em vida
de hora infinita

Em quantos adjetivos és inexplicável
Em quantas rimas pobres
Tu és incompreensível
Em quantos desdobres
Tu és intransponível?

Me diz o que é meter a cara
Quando se há paixão?
Pois paixão não só se mete
Se intromete
Por todas as ilusões
Por todas as realidades
Por todas as dores
Por todas as células
A mente não para
Mas sempre dispara
Junto com a pulsão.

Então, menina do mar
O que guardas no coração?
Pois não quero te pressionar
Apenas uma explicação
Pois meu amor quer transbordar
E não sei se queres guardar
Pois como acabei de falar
Se ele queria voar
Iria se entregar.

Não achas que Ele nos vê?
Sabes que tudo ele prevê
E se não há nada de errado
O que o tempo tem guardado?
Mas ainda te escuto dizer
Não estás pronta não sei por quê.

Mas por ti dobraria o espaço
Colocaria o tempo em colapso
Para poder nos ter
Mas como isso não posso fazer
Resta-me daqui esperar
Enquanto essa angústia durar
Ou um dia tentar me matar.

-Jonatas Carlos - João Pessoa 23.08.2016

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